Homem-primata, capitalismo selvagem.

23 de junho de 2009

Imagine.

Imagine. Apenas...imagine. Um dia, você, senhor ou senhora decente, pai de família, acorda cedo e vai trabalhar. Melhor, melhor! Vai comprar pão, alí, do lado, no pólo capitalista do país. Todo sorridente, com seu dinheiro na mão, atravessa a fronteira e ruma à padaria de seu gosto. De preferência, aquela lá nos cafundós de Berlin Ocidental,porque lá "o pão é gostoso e quentinho". Pois bem, nada te impede de ir andando, não é? Aproveita e dá uma olhada na vegetação, nas roupas, sente o ventinho frio...e pimba! Lá está você na padaria, mais rápido do que julgou ser possível. Sorri e pede seis pãezinhos para sua família, principalmente para aqueles dois lindos pimpolhos na sua casa. A atendente sorri e lhe dá o produto fumegante. Você paga e tem uma agradável surpresa: o pão está mais barato! O dia poderia ficar melhor? Sorridente, volta para casa. Encontra um colega no caminho, se abraçam, conversam e quando você olha no relógio, já está na hora das crianças acordarem. Despede-se com pressa e sugere que o amigo vá passar um tempo em sua casa, mas logo sai em disparada pelas ruelas capitalistas. De tão preocupado com a hora, não vê a nuvem de poeira à sua frente, não ouve os sussurros assustados das pessoas ao seu redor. Apenas continua seu caminho até...até...aquilo.

Imagine. Apenas...imagine. Você, preocupado com seus filhos e seu amor em casa, o pão nas mãos...e centenas, se não milhares de soldados socialistas fazendo um...um MURO? Um maldito muro no meio do caminho! A poeira que se levanta é sufocante. As pessoas estão assustadas. Até os soldados estão assustados. Alguns desertavam e saltavam a base do muro para o lado preferido. Outros apontavam as armas para a população. Você, a coragem latente em seu peito, avança alguns metros, tentando voltar para casa, mas é repelido. Tenta argumentar, mas a resposta é um tiro próximo ao pé. O que fazer com a família? Aquela muralha se extendia até onde a vista não enchergava! Como voltaria para casa? Quem cuidaria da família? Quem pagaria as contas? Você não aguenta e investe contra os soldados querendo voltar para casa, para os amorosos braços de seus parentes...

Imagine. Apenas...imagine. A escuridão aumenta em seus olhos, seu estômago arde, você sente o chão te engolir e não vê mais nada. Apenas pensa em seus filhos. Como eles sofrerão.


Singela homenagem do autor ao vigésimo aniversário da Queda do Muro de Berlim.

Um comentário:

Bia Faeti disse...

FALA AÊ, REURY! tô sabendo que a vontade de escrever te atacou hoje rs :D OSAIDUOIASDUOSIAU Q ah, eu adorei os textos que li! sim, porque ainda tenho que ler todos! e os textos são engraçados, ok? u.u mesmo que não tenham sido escritos com esse intuito /) OIASDUDOISAUODISAU