Homem-primata, capitalismo selvagem.

26 de dezembro de 2008

Divas Don't Cry [5ª parte]

Final
Ceicarelli fora deixada ao relento, chorando mililitros. Quando seus olhos desincharam, ela foi até o banheiro e olhou-se, imaginando-se daquele jeito e teve ânsia de vômito. Ânsia não, vomitou mesmo, já que emagrecer não fazia mau a ninguém. Escovou os dentes para tirar o gosto da bile e foi deitar-se, sentindo-se mais leve pelo menos algumas kilogramas. Faria mais vezes aquilo, ela não podia ficar baranga que nem aquela Ceicarelli. Logo o sono veio, trazendo a paz.
A manhã chegou trazendo em seus braços floridos os pássaros, o barulho dos carros na avenida e aquele maldito vendedor de pamonha. Quando Ceicarelli conseguiu parar de ouvir "Pamoooonha, pamoooonha, olha a pamoooonha fresquinha" ecoando em sua cabeça, levantou-se e se produziu toda. Acordara com uma idéia e a aplicaria. Ligou para as pessoas certas, pedindo um único repórter da Planeta, para entrevistá-la às três horas. Sentou-se à mesa e não fez mais nada a não ser pensar. Estranhamente não tinha mais tanta dificuldade com isso. Sorriu ao ver o repórter entrar nervoso.
-Se...senhora...pode falar.-Sussurrou, pegando um gravador, acionando-o e colocando-o sobre a mesa.
-Relaxe, amorzinho.-Sussurrou, sorrindo abertamente.-Bem, queria dizer que desisti da idéia de engrenar na carreira de cantora. Os fantasmas das Divas me deixam envergonhada.-Riu de lado.-E vou parar de modelar. Já sou bastante rica e agora posso usar esse dinheiro para outras coisas além de estética. Vou começar a ler e estudar mais. E alguma parte do meu dinheiro eu doarei para um grupo de apoio à criança com cênser.
-A senhora quer dizer câncer.-Corrigiu, divertido, o repórter.
-Ah, tanto faz, elas estão ferradas mesmo.-E essas palavras foram a manchete do dia seguinte.

24 de dezembro de 2008

Superstição


Não adianta insistir, não dá mais entre agente...

 

                                                                     Mas porquê??? Agente sempre se deu tão bem, sempre se amou... O que eu fiz de errado?


Não é nada com você particularmente, mas é que nossas luas não combinam... Eu sou Áries, você peixes, não há sintonia cósmica entre nós...

                                                                         

Do que você está falando, esqueça estas besteiras!

Eu te amo é isto que importa...

Não... Esqueça isto, bola pra frente. Olha, já leu seu horóscopo hoje?

 

Eu não quero saber de horóscopo, isto não existe,

É tudo mentira!

 

Esconjuro Pedro Paulo! Bate na boca! Você não sabe o azar que dá

Criticar os astros!? Minha cartomante me disse que...

 

Cartomante!?

 

É! Ela me disse que você tem mesmo uma aura muito negativa ao seu redor

Então eu comprei um presentinho pra te ajudar. Tó...

 

Mas o que é isto!?

 

 

É um trevo de quatro folhas, benzido por um padre moribundo,com as lágrimas de uma noiva abandonada no altar. Vale por três pés de coelho...


Ana esqueça isto! Vamos voltar a ficar juntos...

Olha, eu faço o que você quiser.. Aquela viajem pra Búzios! Você queria tanto!
Eu compro as passagens agora e agente embarca amanhã!

 

Bem... Acho que não posso recusar. Meu horóscopo previa uma grande viajem neste final de semana. Destino é destino...

 

Então está feito, eu vou buscar

As passagens agora mesmo! Até logo meu amor!.

 

Até...

 

 

Funcionou! Valeu Pai Ambrósio! 

Mensagem ao Senhor Vermelho


Senhor Vermelho, sua família manda dizer que sente muito a sua falta.

Sem você nosso arco-íris fica incompleto

Não há mais lindas rosas no canteiro debaixo daquela casinha azul

Nem mais cor nos lábios da princesa antes de dar um beijo em seu príncipe encantado

E a maçã da bruxa? Ficou roxa sem você.

E aquele coração que o menino ia entregar à amada? Sem você, nunca existiu.

Nós sabemos que você deixou o estojo para se aventurar por outras paisagens, viajar nas penas de alguma ave silvestre e conhecer a Amazônia. No entanto, sem tua cor tão quente, este estojo fica cada dia mais frio...

Por isto senhor Vermelho, se estiver lendo este pedido, por favor, largue um pouco esta vida de aventuras, e venha colorir sua família. Ela deixa esta foto, na esperança que você se lembre dos bons tempos...

Por isto mandamos este recado, em preto e branco.

 

Gratos. Família Castell.

23 de dezembro de 2008

Divas Don't Cry [4ª parte] -Atrasado

Emy Winnerhouse e os palcos do futuro






Ela não tivera tempo nem para respirar direito -que dirá pensar!- e o quarto se tornou frio com a fumaça que entrava pelas frestas.




-Wou, essa deve ser da boa!-Exclamou correndo para a porta e sendo barrado por um espírito...horrível. Macabro. Terrível. Assustador. Tá, acho que você entendeu o pu*a susto que Ceicarelli tomou. Cambaleou para trás e caiu de costas na cama. O espírito usava uma blusa branca, caindo frouxamente e mostrando o sutiã preto. Era levemente vesgo e tinha o cabelo alto e desarrumado. E lembrava um pouco um bisturi com dor de estômago e de peruca. Eis seu retrato falado:


O espírito sorriu debilmente, fumando um cigarro apertado de maconha.




-Sinceramente, eu já vi melhores.-Riu e puxou-a pelo pulso. Repitiu-se todo o processo dark-googleástico e ela estava em um lugar apertado, com garotos e garotas rebolando até o chão e uma...pessoa que lembrava Ceicarelli lá em cima, no palco, cantando:


"Asma, a-asma, eu conheci três fantasma" quarenta e sete vezes seguidas. Era mais ou menos assim, conforme nos relatou a personagem principal da história:


Ela ofegou e pela primeira vez na vida pensou rápido:
-A...aquela sou eu?-Gemeu, assustada.-No futuro?
-Daqui a dois anos.-Riu Emy, indicando os aros do Google que voltavam a crescer. Elas entraram e Ceicarelli se jogou ao chão, aos prantos.
-Não acredito, vou me tornar aquela baranga?-Ofegou, esperneando.
-Vai sim. Pelo menos vai estar melhor que eu. Ou não.-O espírito riu e sumiu, deixando uma estranhamente pensativa Ceicarelli com a maquilagem manchada.

Dúvidas









Mas será a menina que está presa aí dentro?
ou sou eu que estou presa aqui fora?


Mensagem de amor.










E esta mensagem de amor vai para Lucy.
Lucy, desde que você se foi no natal passado Teddy 
tem sentido muito a sua falta...
No momento em que vocês se conheceram em Taiwan, ele 
soube que eram feitos do mesmo algodão. 
Ligados pela mesma linha...
Sim, ele sabe que vocês discutiram muito dentro da caixa
mas o amor é assim mesmo cheio de altos e baixos 
e agora o pobre Teddy só vive de saudades...
Portanto, volte pra ele!
Ele continuará te esperando, naquela mesma prateleira, 
daquela mesma loja.



E agora voltamos com a nossa programação normal...



este texto é uma adaptação livre (e absurdamente inferior) do texto da doce rita apoena.

Entrevista de emprego.

Meu nome? Meu nome é Ana. Idade? Erm... 29. Sim, sim eu sei que na minha carteira de identidade está com uns nove anos a menos, mas estas coisas acontecem. Você sabe como é, não é mesmo?! Ah, não sabe? Ta bom, ta bom eu confesso, talvez a certeira esteja um pouco mais certa. Mas quem nunca contou uma mentirinha não? Hehehe. Certo, acho que esta entrevista não está caminhando como eu previa, podemos começar denovo?

xxx

Começar denovo. É pra isto que estou aqui. Você deve mesmo estar se perguntando o porquê de alguém com uma carreira sólida como a minha estaria aqui, à procura de outro emprego... E esta é a resposta. Eu simplesmente acho que é hora de jogar o passado no lixo e recomeçar. Novos desafios, novas idéias. Inovar, este é meu lema. Minha idade? Algo entre vinte e quarenta. Pra eu ser mais precisa? Certo, trinta e nove. Algum problema?

xxx

O problema é que, veja bem, todos implicavam comigo. Por isto tive que sair do último emprego, minha honra vem primeiro. Experiência na área? Bem, desde que me formei em arquitetura trabalhei na área alimentícia, como vendedor de cachorros quentes e garçon; na área administrativa como secretário, e durante algum tempo até como baby-sitter. É que sabe como é, as pessoas não dão muitas oportunidades para os jovens... Mas agora estou pronto para trabalhar na minha área de verdade, pode acreditar em mim!

xxx

Porquê o senhor deve acreditar que eu mereço esta vaga? Bem... Eu... Sou capacitada, sou inteligente e sei lidar muito bem com pessoas... Sabe minha mãe sempre disse: Essa Aninha tem jeito pra falar! Meu sonho mesmo nesta época era ser bailarina. Mas sempre escutei minha mãe, muito sábia, que Deus a tenha... Seu eu tenho tatuagem? Bem, eu tenho uma ou outra... Sabe como é... Quem nunca foi jovem?...

xxx

Eu sei que já não sou mais tão jovem... Mas ainda estou no auge de meu aproveitamento. O que eu costumo fazer nas horas de folga? Bem eu costumo ler e praticar esportes e... Certo. Eu vejo novela. Eu sei que isto é desesperador, e até preparei alguns gráficos para demonstrar. Veja só, aos vinte e cinco anos eu era um poço de idéias, nem sabia da existência de novelas na televisão, e veja que conforme a linha da idade vai crescendo, maior vai ficando o numero de capítulos assistidos! Até que no ano passado, para meu desespero peguei-me voltando pra casa mais cedo só pra saber se Antônio Carlos iria se casar com Maria Isabel. Desculpe-me se me exitei um pouquinho, acho que estou um pouco nervosa apenas.

 Se eu sou casada? Por quê? Porquê necessariamente toda a mulher de quase-quarenta anos TEM QUE ESTAR CASADA?? Quer dizer, isto acontece, as pessoas não encontram o amor com facilidade sabia? Em um momento você não liga, no outro, eles é que não ligam pra você. Querem sempre as mais jovens, as mais jovens, SEMPRE AS MAIS JOVENS!

Oh, desculpe-me novamente, acho que estou realmente um pouquinho nervosa com a entrevista... O-O senhor já leu meu currículo?

xxx

Meu currículo? Certo, talvez eu não fale todas as cinco línguas... Mas arrisco muito bem no Inglês e no Espanhol viu?

Porquê eu acho que você deva me dar esta vaga? Bem, o senhor deve saber que amanhã é natal... E ontem à noite eu falei pra mim mesmo: Pedro Paulo está na hora de você mudar a sua vida. Minha avó fez até uma promessa lá na igreja dela. Se eu acredito em Deus? Bem, agente tem que acreditar em alguma coisa não é mesmo?

xxx

Ah, o senhor não vai me dar à vaga? Está procurando alguém mais velho... Não.. Não tudo bem, eu entendo. Valeu aí a oportunidade...

 xxx

A-Alguém mais jovem? N-Não, faz sentido... Compreendi perfeitamente. Muito obrigada e boa noite.

  xxx

Sim eu entendo, o senhor está procurando alguém com mais experiência. Tudo bem...

Mas, não se esqueça da minha ficha se abrir alguma vaga pra arquiteto-faxineiro por aí...


Carta ao senhor Noel.

O que eu quero pedir é um homem.

De preferência alto, de cabelos longos e olhar profundo, como o oceano...

Mas, se só tiver baixinho e careca também estamos aceitando.

Tem que saber cantar. Cantar as músicas mais lindas baixinho, só no meu ouvido, de modo que cada nota penetre na minha alma e me faça criar asas...

Mas olha, se só tiverem mudos, roucos e desafinados, também estou aceitando.

Ah, tem que saber tocar algum instrumento. Pra poder preencher previamente qualquer silêncio que venha a tomar meus ouvidos, e cuidando de encher de melodia todos os instantes da nossa vida!...

Mas, se só souber assoviar, tudo bem, também estou aceitando.

Agora, de uma coisa eu não abro mão, tem que saber cozinhar! E preparar o jantar para mim todas noites, me esperando na sala, cada dia com um prato exótico e diferente, que me fará viajar pelo mundo só com a ponta da língua...

Mas... Se souber fritar um ovo, pra mim já está bom.

O que eu quero mesmo é que seja um homem!...

Se bem, que se só tiver mulher... Também estamos aceitando.

 

O senhor deve estar me achando uma desesperada não?

Mas é que sabe como é, esta chegando outro natal, e mais uma vez, estou eu aqui sozinha, de frente pro espelho, tentando acreditar que este tal de amor existe.

O que eu queria mesmo era um pouco de esperança...

Mas se só tiver televisão, tudo bem, agente aceita.

21 de dezembro de 2008

Divas Dont Cry
Capitulo terceiro.
'Os palcos do presente'




Ceicarelli continuou encarando o nada abobada. Teria ela tomado diuréticos demais, a ponto de ter alucinações? Seria alguma peça de seu Honaldinho? Seria um novo golpe de mídia?
Não, eram pensamentos demais para a pobre modelo. Deitou na cama na tentativa de voltar à realidade quando de repente uma cacofonia invadiu o quarto. Da parede surgiu à segunda ‘alma penada’. O ser careca-vestido-em-uma-roupinha-de-colegial entrou ao som de ‘give me more’.
AHHHHHHHHHHHHHHH!
Gritou Ceicarelli horrorizada.
Qual é o problema Baby?
Disse o espirito-careca, ou melhor, foi dublada.
Puxa, vocês estão melhorando... – Começou Ceiccarelli. – Dublagem, muito mais chique...
Eu sempre sou dublada baby... Se as pessoas escutassem minha voz de verdade nunca comprariam meus cd’s Deeeerrrrr . – Disse a alma penada com simplicidade.


Eu sou Bretney, o espírito dos palcos presentes, e tenho que te mostrar umas coisinhas.
Dito isto ambas entraram nos famosos túneis do Google dumal. Quando finalmente pousaram estavam em um camarim agitado. Uma outra Bretney colocava uma peruca, e passava kilos de sua maquiagem atômica enquanto uma babá cuidava de seu bebê. Hoje pousaria paa a revista ‘Mães e filhos’.


Epaa peraí, este não é o meu presente!
Exclamou Ceiccarelli.
Tem razão, é o MEU. Disse Bretney.
Puxa isto me mostrou como tenho sido egoísta e narcisista com todos a minha volta, obrigada. Disse Ceicarelli.
Mostrou o que!? Eu só achei que você estava precisando de uns conselhos de moda. =D.


Dito isto Bretney sumiu, e Ceiccarelli estava de volta em seu quarto.
‘-‘

20 de dezembro de 2008

Divas Don't Cry [2ª parte]

Mandonna e os palcos do passado
Ao chegar a casa, exaurida pelo calor, Ceicarelli correu para a cama, a cabeça latejando. Era a mesma sensação que ela tinha quando passava horas tentando pensar. Ao cair na cama adormeceu profunda e rapidamente.
A noite caíra tão derrepente que fez um estrondo. Um estrondo tão grande que foi capaz de acordar o porco com dor no estômago que era Ceicarelli. Mas não, não era a noite. Ainda estava de dia. Não, não estava. Ela se levantou, bocejando e abriu a cortina, vendo a lua. Oras, se já era noite, que barulho fora aquele e que luz misteriosa seria esta que lhe ofuscava os olhos?
-Am I, Girl!-Saudou uma voz conhecida e melodiosa mas igualmente impossível de estar ali. A voz de Mandonna.-How are you? I'm Fine, Thanks. Hello, i'm Mandonna.
A modelo ergueu as sobrancelhas, a boca aberta dando-lhe uma cara ainda maior de molóide.
-Como disse? Não entendi nada. Sabe, não falo francês. -Sussurrou, assustada olhando a loira com malhas esportivas e cabelos na altura dos seios, mas cheia de rugas e com uma bengala na mão.
-Oh, Holy Shit! I forgot to activate the Google Translator!-Praguejou a senhora que começou a andar, cambaleante em direção à mesa do computador de Ceicarelli. Antes que chegasse, a página do Google Translator foi aberta e ela sorriu um sorriso branco e enrugado.-Ok, um, dois, três, testandooo?-Falou, olhando para a tela do leptop.-Ótimo, funcionou. I imagine. Maldição de Google. -Rosnou, olhando o computador ferozmente. A mensagem : "Nosso sistema precisa ser atualizado, por favor, não se irrite e ajude-nos, pagando-me umas férias em Londres. Juro que voltarei sabendo tudo", seguido de um "*-*" cativante. Mandonna revirou os olhos e os pousou na garota.-Oh, é mesmo, como é a idade, não é? Como disse, sou Mandonna, o Espírito do Christmas Passado. -Sorriu e estendeu a mão enrugada e de veias saltadas para uma Ceicarelli abobada -ainda mais abobada.
-Anh...tipo no desenho da Dysnei? -Ofegou, sem apertar a mão da velha Mandonna que deslizou a mão pela bengala, fazendo cara de tédio.
-É, isso aí, boa menina, merece um biscoitinho. -Rosnou, batendo a bengala no chão.-É, mais ou menos isso. Sou a primeira dos três fantasmas que lhe visitarão esta noite e eu vou conduzi-la a uma viagem pelos abismos escuros de seu passado. Portanto ande logo e trate de sentar-se à cadeira do computador, sim? Thanks. -Não esperou resposta e eu não a culpo por isso. Esperar alguém daquele porte raciocinar normalmente já é difícil. Ainda mais sob pressão. Cutucou-a com a bengala e fê-la sentar-se na cadeira à força. Quase que na mesma hora que a futura (ou não) cantora olhou para a tela inicial do Google, seus duplos "O's" pareceram alargar-se e projetar-se para frente. Ela sorriu bobamente e tocou o "O" vermelho que se esticou e engoliu-a. Antes de entrar no amarelo com cara de quem experimentava aquilo todo o Natal e já estava de saco cheio, ela revirou os olhos. -Jovem tola.-Foram suas últimas palavras antes de rodopiar pelo redomoinho amarelo.
Havia um ponto na queda quase infinita rumo à oscuridade que se alargava sob seus pés em que os dois túneis, o amarelo e o vermelho, se uniam em um. E é neste ponto em que elas foram engolidas pela escuridão. Ceicarelli caiu com um baque oco no chão de terra batida enquando Mandonna flutuou ao seu lado, sussurrando algo como "Gimme More" centenas de vezes, pelo que se parecia. Ceicarelli havia virado-se de frente, a expressão em choque enquanto fitava o Espírito idoso.
-Deus, você é um fantasmaaaa!-Ofegou, afastando-se, levantando-se com a mão cheia de terra e jogando contra a fantasma que olhava-a abismada.
-Goood, como é lenta!-Bufou, vendo os grãos de terra atravessarem sua barriga. Riu baixo. Só tendo um senso de humor daqueles. Certo, ela adorava essa parte. De sua roupa justa puxou uma ponta de algo tilintante. Puxou-o até dar a altura do ombro e cortou-o com um sopro. Suas correntes. Apareceu na frente dela, mostrando a língua, ficando vesga e sacudindo as correntes. Ceicarelli olhou-a firmemente, os olhos como laranjas e caiu para trás, dura como uma múmia.
Ela dava tapinhas singelos no rosto da garota que atravessavam-na. A modelo acordou com um arrepio e ia começar a gritaria quando Mandonna silenciou-a com o indicador e apontou-o para a janela de um casebre. Um casebre realmente conhecido pela possível cantora. O casebre onde passara toda a infância trabalhando duro dia após dia sob sol ou chuva no canavial. Ela olhava meio triste, meio nostálgica para a menininha de cabelos cor de ouro sujo na única janela da "casa". Ela tinha em mãos uma boneca e fazia-a desfilar pelo beiral da janela, com um brilho no olhar e com os lábios se mechendo. Quando chegou mais próximo a ela, pôde ouvir os barulhos de flashs que fazia. Sorriu de leve e tentou tocá-la, atravessando-a.
-She é apenas uma lembrança. Sabe por que te trouxe até aqui?-Sussurrou e logo depois acrescentou:-Claro que não sabe, doce ilusão. Olhe bem para você. Olhe bem. Qual era seu desejo mais profundo?
-Modelar. -Sussurrou, o coração apertado.

-Exato. Modelar. Você sempre foi gentil com os outros.
-Era uma máscara para conseguir me tornar modelo! -Retrucou com aspereza.
-Não, a máscara é a que você está usando agora.-Contradisse o Espírito, mudando a imagem com um aceno teatral de mão. Era como ver pela superfície de um lago. A imagem tremeluziu e entrou em foco. Era agora mais velha. Um ou dois anos se bem se lembrava. Sorria alegremente enquanto ajudava a descarregar um caminhão de comida para carentes. Olhou para o lado e viu-o. O rapaz a quem sempre amara mas que era tão humilde que precisava da ajuda dela e de outras pessoas mais ricas para sobreviver. A imagem mudou. Ela beijando-o. Mudou novamente, formando uma espécie de slide-show. Ela empurrando ele. Sempre fora boa atriz. Partira o coração dele para assinar um contrato. Partira o próprio coração para assinar um contrato. As imagens mudaram até uma manchete de jornal: "Ex-namorado de modelo com carreira meteórica rouba-a antes de fugir. A polícia não tem notícias." Tudo parte de um plano. Sempre um plano. Outra manchete apareceu. "Ex de Ceicarelli, a modelo mais importante do país preso". Sim, ela concordara com isso. E assim seu coração foi esmigalhado para todo o sempre. Talvez. -É, isto foi cruel. Inteligente. Mas igualmente cruel.-Sussurrou o espírito e ela reparou que estava em casa de novo e Mandonna estava mais pálida, translúcida.-Minha hora de ir está chegando. É a vez do próximo espírito. Vou te deixar com sua consciência.-Após a última palavra ela havia sumido.

19 de dezembro de 2008




É natal! É natal!
Pega no meu... Errm.

Como as infindáveis canções natalinas não nos deixam esquecer, é natal caro  leitor, e os Macacos do Simba resolveram comemorar esta data tão importante com um presente (?) especial. Está declarada a semana oficial do Natal! Dando inicio a série que vem por aí. Durante os próximos sete dias, todos os assuntos da Simbiose rodarão em torno desta data tão especial para o [comercio] povo cristão.
E para comemorar com estilo, apresentaremos a mais nova novela de natal,
inspirada no [clássico da sessão da tarde] conto homônimo de Charles Dickens' Canção de Natal ':

Divas Don't Cry

Muitas águas vão rolar.
Enfim, o Simbiose deseja a todos [que ganhem muitos presentes] um feliz natal. =D

Divas Don't Cry [1ª parte]

Início - Introdução à vida de Ceicarelli

Era uma noite clara e nada chuvosa de véspera de Natal no Rio de Janeiro, Brasil. Uma senhorita famosa em seu país e no exterior, por desfiles e por ter-se casado com o tal jogador de futebol estava deitada em sua cama, um dos fones de seu Ipod preso em sua orelha delicada enquanto o outro jazia sobre um dos travesseiros fofos de sua cama. Ela tinha um olhar distante enquanto ouvia suas músicas (Mandonna, Bretnei e Emy Winnerhouse). Ela parecia -mesmo que devesse ser impossível- estar ruminando uma idéia. E realmente o estava fazendo. Sorriu, satisfeita e desligou a luz do quarto batendo palmas. Desligou o Ipod e dormiu o sono dos anjos.

O dia seguinte amanhecera sob uma chuva de afogar peixe. Malditas chuvas de Verão, amaldiçoou a jovem tola. Mas, como ela mesma disse, ou pensou, era apenas uma chuva de Verão. Passageira. E ela logo se foi, deixando à mostra um lindo arco-íris, um céu azul e um sol que agradava a todos. Mas não a ela. Maldito Sol escaldante. Amaldiçoou novamente a incauta modelo. Ela amaldiçoaria também o céu azul e o arco-íris que atraíam a atenção dos mais dedicados às belezas naturais, mas não, Ceicarelli não era o tipo de mulher que olha para cima. Os de baixo que deveriam olhá-la. É, ela era arrogante. Era.

Entrou no carro e este disparou pelas ruas, guiado por seu motorista ao qual ela não sabia o nome (e nem se importava), evitando áreas com engarrafamento. Logo, portanto, chegaram ao local onde haveria a entrevista coletiva do século. Dezenas de repórteres estavam sentados e ao verem-na chegar, se levantaram e começaram a fotografar e a perguntar. Ela pigarreou irritantemente no microfone e eles taparam o ouvido, arrepiando-se com o barulho terrível que as caixas de som produziram. Ela sorriu, satisfeita e rosnou:

-Não pensem, espero, que euzinha responderei perguntas. Apenas vou informar-lhes de minha decisão e ignorá-los completamente. Se não gostarem dos termos, saiam. Não farão falta. Mas eu farei, à sua revista ou jornal. Sei disso, queridinhos. -Deu aquela risada irritante e começou a falar ao vê-los sentarem-se, desapontados: -Pois bem, eu tenho um comunicado importantíssimo, portanto anotem bem o que vou falar: Eu deixarei de ser modelo. E investirei na carreira de cantora. Comecei minhas aulas de vocal e logo, logo estarei fazendo meus shows assim como minha diva, Mandonna.-Virou as costas em meio aos barulhos de flashs e de papel riscado por canetas. Sorriu de lado. Conseguira o que queria. Agora era só começar. Pegou seu carro, ignorou o sorriso do homem e partiu para casa. Nunca teria aulas de vocal. Achava-se preparada.

Sobre o começo.


"Seja 
você mesmo, mas não seja sempre o mesmo".

 

Realmente, isto não tem absolutamente nada á ver com começo, ou mesmo com o que você, futuro talvez-leitor vá ver neste blog. Mas queria começar as postagens com uma frase inteligente, não sei se o consegui, mas, peço logo, que tenhas piedade da pobre alma que aqui digita. O fato é que eu e Reury (vulgo Vinicius) já combinamos as regras do jogo, e deixo aqui bem claro:

Reury será o responsável por postar as coisas que devem ser lidas, e eu as que não devem em hipótese alguma.

Ah, que jeito estranho de dizer "Olá" não?

Recomecemos do modo formal: Olá. E seja muito bem vindo(a). A casa é nossa.

Aqui quem digita Nev's, um ser problemático que nasceu por geração espontânea em Refutópolis. Acredita em bananas, livros sem capa, e homens com barba. Não sabe tocar violão, mas está aprendendo a assoviar. Tem medo de rodas gigantes, mas adoraria pular de bung-jump. Lê qualquer porcaria que lhe ponham a frente, e sempre que possível dorme junto à um livro, que é muito menos arriscado que dormir com outros seres humanos. Está cuidando do design do blog, portanto se quiser bater em alguém, é n'eu aqui... 

Enfim. 

Neste blog, se verá de tudo e um pouco de cada coisa.

Falar mais seria como contar que Leonardo DiCaprio morre no final de qualquer filme que ele venha a aparecer...

 

So. Bienvenue!

E que este seja apenas o começo!



18 de dezembro de 2008

Simbiose - Apresentação

Ok, olá! \o/
Eu nunca fiz isso, então me desculpem qualquer coisa! Ou não.
Mas é isso, galera, eu, Vinícius, e um amigo meu de apelido Nev's, pensamos em fazer o Simbiose, que tem como objetivo diverti-los Ou não[2] com o que escrevemos ou achamos interessante. Poemas, poesias, textos, contos, notícias ou similares que nos saltem aos olhos.

Com relação ao nome do Blog, segundo Silveira Bueno:
Simbiose: s.f. Associação entre dois seres vivos na qual há benefícios recíprocos, vida em comum.
Bem, é uma relação intra-específica harmônica, como diz meu velho e empoeirado livro de biologia. Momento Wikipédia. Mas não, não é sobre biologia que vamos tratar. Até por que tento esquecer a escola em meus textos. Pois bem, levaremos o título por: uma vida em comum onde há reciprocidade.
Bem, pessoal, espero que gostem do Simbiose. Se tiverem alguma sugestão de texto ou de melhorias, com educação, mandem-me um recado num dos maiores males da sociedade o governo o orkut.(http://www.orkut.com.br/Main#Profile.aspx?uid=5862554865699064553&rl=t)