Início - Introdução à vida de Ceicarelli
Era uma noite clara e nada chuvosa de véspera de Natal no Rio de Janeiro, Brasil. Uma senhorita famosa em seu país e no exterior, por desfiles e por ter-se casado com o tal jogador de futebol estava deitada em sua cama, um dos fones de seu Ipod preso em sua orelha delicada enquanto o outro jazia sobre um dos travesseiros fofos de sua cama. Ela tinha um olhar distante enquanto ouvia suas músicas (Mandonna, Bretnei e Emy Winnerhouse). Ela parecia -mesmo que devesse ser impossível- estar ruminando uma idéia. E realmente o estava fazendo. Sorriu, satisfeita e desligou a luz do quarto batendo palmas. Desligou o Ipod e dormiu o sono dos anjos.
O dia seguinte amanhecera sob uma chuva de afogar peixe. Malditas chuvas de Verão, amaldiçoou a jovem tola. Mas, como ela mesma disse, ou pensou, era apenas uma chuva de Verão. Passageira. E ela logo se foi, deixando à mostra um lindo arco-íris, um céu azul e um sol que agradava a todos. Mas não a ela. Maldito Sol escaldante. Amaldiçoou novamente a incauta modelo. Ela amaldiçoaria também o céu azul e o arco-íris que atraíam a atenção dos mais dedicados às belezas naturais, mas não, Ceicarelli não era o tipo de mulher que olha para cima. Os de baixo que deveriam olhá-la. É, ela era arrogante. Era.
Entrou no carro e este disparou pelas ruas, guiado por seu motorista ao qual ela não sabia o nome (e nem se importava), evitando áreas com engarrafamento. Logo, portanto, chegaram ao local onde haveria a entrevista coletiva do século. Dezenas de repórteres estavam sentados e ao verem-na chegar, se levantaram e começaram a fotografar e a perguntar. Ela pigarreou irritantemente no microfone e eles taparam o ouvido, arrepiando-se com o barulho terrível que as caixas de som produziram. Ela sorriu, satisfeita e rosnou:
-Não pensem, espero, que euzinha responderei perguntas. Apenas vou informar-lhes de minha decisão e ignorá-los completamente. Se não gostarem dos termos, saiam. Não farão falta. Mas eu farei, à sua revista ou jornal. Sei disso, queridinhos. -Deu aquela risada irritante e começou a falar ao vê-los sentarem-se, desapontados: -Pois bem, eu tenho um comunicado importantíssimo, portanto anotem bem o que vou falar: Eu deixarei de ser modelo. E investirei na carreira de cantora. Comecei minhas aulas de vocal e logo, logo estarei fazendo meus shows assim como minha diva, Mandonna.-Virou as costas em meio aos barulhos de flashs e de papel riscado por canetas. Sorriu de lado. Conseguira o que queria. Agora era só começar. Pegou seu carro, ignorou o sorriso do homem e partiu para casa. Nunca teria aulas de vocal. Achava-se preparada.
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