Homem-primata, capitalismo selvagem.

26 de dezembro de 2008

Divas Don't Cry [5ª parte]

Final
Ceicarelli fora deixada ao relento, chorando mililitros. Quando seus olhos desincharam, ela foi até o banheiro e olhou-se, imaginando-se daquele jeito e teve ânsia de vômito. Ânsia não, vomitou mesmo, já que emagrecer não fazia mau a ninguém. Escovou os dentes para tirar o gosto da bile e foi deitar-se, sentindo-se mais leve pelo menos algumas kilogramas. Faria mais vezes aquilo, ela não podia ficar baranga que nem aquela Ceicarelli. Logo o sono veio, trazendo a paz.
A manhã chegou trazendo em seus braços floridos os pássaros, o barulho dos carros na avenida e aquele maldito vendedor de pamonha. Quando Ceicarelli conseguiu parar de ouvir "Pamoooonha, pamoooonha, olha a pamoooonha fresquinha" ecoando em sua cabeça, levantou-se e se produziu toda. Acordara com uma idéia e a aplicaria. Ligou para as pessoas certas, pedindo um único repórter da Planeta, para entrevistá-la às três horas. Sentou-se à mesa e não fez mais nada a não ser pensar. Estranhamente não tinha mais tanta dificuldade com isso. Sorriu ao ver o repórter entrar nervoso.
-Se...senhora...pode falar.-Sussurrou, pegando um gravador, acionando-o e colocando-o sobre a mesa.
-Relaxe, amorzinho.-Sussurrou, sorrindo abertamente.-Bem, queria dizer que desisti da idéia de engrenar na carreira de cantora. Os fantasmas das Divas me deixam envergonhada.-Riu de lado.-E vou parar de modelar. Já sou bastante rica e agora posso usar esse dinheiro para outras coisas além de estética. Vou começar a ler e estudar mais. E alguma parte do meu dinheiro eu doarei para um grupo de apoio à criança com cênser.
-A senhora quer dizer câncer.-Corrigiu, divertido, o repórter.
-Ah, tanto faz, elas estão ferradas mesmo.-E essas palavras foram a manchete do dia seguinte.

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