Homem-primata, capitalismo selvagem.

30 de maio de 2009

Crônicas de uma classe - Parte III

Os dias se passaram rapidamente demais. Em um piscar de olhos a última semana de aula antes do recesso estava ali, na minha frente. E junto com ela as brincadeiras de final de ano.

Era bem comum, enquanto caminhava pelo campus, notar rolos de papel higiênico adornando as árvores e mechas de cabelos ao chão – frutos de uma promessa para passar de anos, provavelmente. As mangueiras de emergência estavam todas abertas, fazendo com que saltássemos por entre poças. Professores e zeladores corriam por toda a Universidade, tentando conter os ânimos-pré-férias dos alunos. Eu, obviamente, repudiava aquilo. Mas não falava nada. Quanto mais idiotas, menos concorrência no futuro. Era o que mamãe dizia antes do acidente, me deixando sozinho no mundo. Piscando furiosamente, sempre me controlava. Nunca havia derramado uma lágrima sequer pela morte de ninguém.

Na última semana houve uma pequena festa no último dia, mais especificamente. Não liguei para ela e fui embora, me preparar em casa para o último dia de aula. Estava tão distraído que quase arranquei tinta de um carro ao meu lado.

O dia foi uma droga. Agi maquinalmente e terminei todas as tarefas em menos de três horas. Deitei-me na cama ainda de dia e fiquei a olhar o teto com o estômago revirando lentamente. No dia seguinte começava o martírio. Aulas para a terceira série, crianças, pequenos demônios sem asas. Adormeci naquela posição.

Nenhum comentário: