Hoje foi um dia que mudou minha vida, nunca mais vou esquecê-lo. Nos próximos dias relatarei aqui, sobre as minhas aventuras de hoje e dos próximos dias nos quais serei obrigado a freqüentar aquele hospício nomeado ironicamente de “Escola Santa Paz”. Meu nome é Carlos e eu sou um futuro advogado.
Meu dia sempre começa igual, levanto-me as seis e dez, escovo meus dentes, me arrumo, subo em minha moto e me dirijo à Faculdade. Chego exatamente às sete horas, quarenta minutos adiantado. Escolho meu lugar, sento-me e espero, folheando qualquer livro que esteja lendo no momento, até que a sala esteja lotada de pessoas com as quais troquei apenas duas palavras. É nesta hora que fecho meu livro e olho fixamente para frente, esperando o professor chegar. Anoto cada suspiro deste e ao final da aula eu aprendi até os tiques nervosos característicos do stress de ser mestre. Lembro-me de pensar sempre: “Escolhi a profissão certa, nunca vou ter que dar aulas para idiotinhas sem cérebro.”. Irônico, não?
Foi num destes dias, precisamente no dia vinte e nove de maio de dois mil e nove. Foi quando tudo começou a desandar. Lá estava eu, encarando o professor que - ria de uma piada de cunho sexual - com o cético olhar de quem se decepciona ao ver um ídolo ser preso por tráfico de drogas. Foi nesta hora que um senhor deu dois toques na porta de madeira e entrou. Seu semblante me fazia lembrar de um tucano com óculos equilibrados na ponta do nariz. O senhor fixou seus olhos inteligentes em mim e com certeza me reconheceu, pois esboçou um sorriso sádico e começou a falar enquanto passava os olhos em uma lista.
-Pois bem, meu nome é Eduardo e eu estou aqui para distribuir o prêmio de melhores alunos da escola. Por favor, sem estardalhaço, sim? –Disse ele, olhando friamente para um grupo que cochichava meu nome. Eu podia ouvir, mas não movi um músculo sequer e Eduardo voltou a falar, jogando a lista no lixo. – Não preciso disso, já que o melhor aluno em uma matéria é o melhor em todas. Carlos Pimentel, se apresente, por favor. –Ele disse, passando os olhos pela turma. Como se eu não soubesse que ele tinha certeza de quem era Carlos Pimentel. Levantei minha mão, olhando-o com atenção, sem me distrair pela nuvem de risadinhas ao meu redor. –Ótimo, aí está nosso aluno-modelo. Pois bem, ao final da aula apresente-se na reitoria. Obrigado, professor Santos. –Disse, deslizando para fora da sala. Eu ergui uma sobrancelha. Uma das coisas que me faziam ser o melhor aluno era minha curiosidade. Bem, eu era frio com tudo, podia ignorar à vontade meus pensamentos e sentimentos. Voltei-me para o professor. A aula transcorreu sem mais nenhum acontecimento digno de nota, portanto, ao soar do sino levantei-me e saí apressado para a sala da reitoria. Chegando à porta, respirei fundo e bati duas vezes, entrando em seguida, exatamente como o reitor Eduardo fizera.
30 de maio de 2009
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