Como havia dormido daquele jeito, de janelas abertas, acordei as cinco junto com os primeiros raios de sol. Os raios de sol das férias. Os raios de sol que fariam muitas pessoas sorrirem, mas que me fizeram bufar. Começaria hoje, daqui a quatro horas, a ensinar para crianças. Meu estômago revirou por um segundo e eu me levantei. Estava sem fome, mas após sair do banheiro comi minha tigela de cereal matinal com leite. Arrumei-me e me joguei no sofá, esperando o tempo passar.
E ele passou bem rápido. Em um piscar de olhos eu já estava atrasado para a aula. Levantei-me e corri para a moto, acelerando-a e pegando um atalho até a escola. Sim, eu estava ansioso. Na verdade, apreensivo. Mais como ficam os condenados à morte caminhando pela milha verde. É, era assim que eu sentia. Tentando adiantar o inevitável para que acabasse logo.
Demorou certo tempo para achar a escola, ela localizava-se mais para o meio rural da cidade, o que era estranho. Era um belo lugar, todo pintado de branco com o nome escrito em diversas cores na parede principal. Parei no estacionamento, a escola aparentava calma. Aquela calma que os tubarões têm antes de destroçar suas vítimas. Desliguei a moto, peguei meu capacete e me encaminhei à secretaria. Na verdade, era um hexágono de tijolos no meio do pátio e com uma placa dizendo que era ali a secretaria.
Entrei sem bater, já que a porta estava aberta. Havia uma atendente com cara de Chacrete aposentada. Contive meu riso perante a figura parada nos anos sessenta e apresentei-me.
-Sou...
-Carlos Pimentel, eu sei, o menino gênio e a próxima vítima, ok, assine aqui. Aqui. Aqui. E aqui. Isso, bom garoto, sua sala é a 43, tome seu horário e não desperdice meu tempo. Tchauzinho. – Foi como falar com o Furacão Katrina. Ela me passou uma folha em que eu assinei rapidamente várias vezes e em seguida me enxotou da sala com um papel de horários de aulas. Em menos de três minutos estava do lado de fora, no frio, olhando o papel em minhas mãos.
Enquanto andava devagar, olhava o horário. Era estranho, eu devia dar aulas até de Educação Física! Eu nunca fui bom naquilo! Eu tinha sorte de não ter isso na faculdade. Respirei fundo e fui para a sala 43, sentando-me à mesa, esperando pela hora do sinal.
30 de maio de 2009
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