Hoje é aniversário de Stuart Fergusson Victor Sutcliffe. Bem, seria se ele não tivesse morrido em 1962, com vinte e dois anos.
Você deve estar se perguntando: "Quem, diabos, é esse tal de Stuart Sutcliffe"? E se, realmente, você está se perguntando isso, sugiro que tome uma overdose de conhecimento e estude, estude muito, sobre os Beatles. Mas tudo bem, eu sou bonzinho, então vou dar uma aula sobre o assunto:
Em minhas andanças pela internet, acabei por descobrindo que hoje, se ainda estivesse vivo, Stuart Sutcliffe estaria completando 69 aninhos. O jovem Stu, apelido usado por John Lennon, era um artista, desde novo. Amava a pintura como sua vida. Influenciado por John, vendeu suas pinturas e equipou-se de um contrabaixo elétrico, entrando assim para os Beatles. A partir de então, o grupo formado por John, Stu, Paul, George e Pete Best, engrenou e começou a crescer. Em uma das viagens à Hamburgo, Stu conheceu a alemã Astrid Kirchherr, uma fotógrafa que começou a tirar fotos dos Beatles para promovê-los. Apaixonou-se, deixou os Beatles que seguiram em frente e morreu de hemorragia cerebral logo em seguida. Nunca foi um baixista comparável à Paul, mas sempre ficará na memória dos verdadeiros Beatlemaníacos.
Se deseja mais detalhes, sugiro que assista ao filme: Backbeat. Este narra o começo dos Beatles, com foco no ex-baixista.
23 de junho de 2009
Imagine.
Imagine. Apenas...imagine. Um dia, você, senhor ou senhora decente, pai de família, acorda cedo e vai trabalhar. Melhor, melhor! Vai comprar pão, alí, do lado, no pólo capitalista do país. Todo sorridente, com seu dinheiro na mão, atravessa a fronteira e ruma à padaria de seu gosto. De preferência, aquela lá nos cafundós de Berlin Ocidental,porque lá "o pão é gostoso e quentinho". Pois bem, nada te impede de ir andando, não é? Aproveita e dá uma olhada na vegetação, nas roupas, sente o ventinho frio...e pimba! Lá está você na padaria, mais rápido do que julgou ser possível. Sorri e pede seis pãezinhos para sua família, principalmente para aqueles dois lindos pimpolhos na sua casa. A atendente sorri e lhe dá o produto fumegante. Você paga e tem uma agradável surpresa: o pão está mais barato! O dia poderia ficar melhor? Sorridente, volta para casa. Encontra um colega no caminho, se abraçam, conversam e quando você olha no relógio, já está na hora das crianças acordarem. Despede-se com pressa e sugere que o amigo vá passar um tempo em sua casa, mas logo sai em disparada pelas ruelas capitalistas. De tão preocupado com a hora, não vê a nuvem de poeira à sua frente, não ouve os sussurros assustados das pessoas ao seu redor. Apenas continua seu caminho até...até...aquilo.
Imagine. Apenas...imagine. Você, preocupado com seus filhos e seu amor em casa, o pão nas mãos...e centenas, se não milhares de soldados socialistas fazendo um...um MURO? Um maldito muro no meio do caminho! A poeira que se levanta é sufocante. As pessoas estão assustadas. Até os soldados estão assustados. Alguns desertavam e saltavam a base do muro para o lado preferido. Outros apontavam as armas para a população. Você, a coragem latente em seu peito, avança alguns metros, tentando voltar para casa, mas é repelido. Tenta argumentar, mas a resposta é um tiro próximo ao pé. O que fazer com a família? Aquela muralha se extendia até onde a vista não enchergava! Como voltaria para casa? Quem cuidaria da família? Quem pagaria as contas? Você não aguenta e investe contra os soldados querendo voltar para casa, para os amorosos braços de seus parentes...

Imagine. Apenas...imagine. A escuridão aumenta em seus olhos, seu estômago arde, você sente o chão te engolir e não vê mais nada. Apenas pensa em seus filhos. Como eles sofrerão.

Singela homenagem do autor ao vigésimo aniversário da Queda do Muro de Berlim.
Imagine. Apenas...imagine. Você, preocupado com seus filhos e seu amor em casa, o pão nas mãos...e centenas, se não milhares de soldados socialistas fazendo um...um MURO? Um maldito muro no meio do caminho! A poeira que se levanta é sufocante. As pessoas estão assustadas. Até os soldados estão assustados. Alguns desertavam e saltavam a base do muro para o lado preferido. Outros apontavam as armas para a população. Você, a coragem latente em seu peito, avança alguns metros, tentando voltar para casa, mas é repelido. Tenta argumentar, mas a resposta é um tiro próximo ao pé. O que fazer com a família? Aquela muralha se extendia até onde a vista não enchergava! Como voltaria para casa? Quem cuidaria da família? Quem pagaria as contas? Você não aguenta e investe contra os soldados querendo voltar para casa, para os amorosos braços de seus parentes...

Imagine. Apenas...imagine. A escuridão aumenta em seus olhos, seu estômago arde, você sente o chão te engolir e não vê mais nada. Apenas pensa em seus filhos. Como eles sofrerão.

Singela homenagem do autor ao vigésimo aniversário da Queda do Muro de Berlim.
Incerteza.
A incerteza é o que nos move. Com certeza. Nunca temos certeza de nada. Ou de tudo. Não tenho certeza. Nunca sabemos se vamos chegar aonde desejamos, quando desejamos, do jeito que desejamos e as chances são bem pequenas de nada dar errado. Não sabemos se viveremos tempo o suficiente ou tempo demais, não sabemos se saberemos, em um futuro próximo, diferenciar os homens dos animais. Não sabemos se existe fim no universo. Não sabemos como impedir a morte que tanto nos assusta. Não sabemos se conseguiremos terminar uma tarefa começada ou se teremos vontade de começar a tarefa inacabada. Não sabemos se vamos pegar uma gripe, perder a voz, nem conseguir levantar. Não saberemos se um dia o planeta que chamamos de nosso acabará. Não sabemos se nossos sonhos serão impedidos por coisa grande, pequena ou coisa nenhuma.Não sabemos tudo com certeza. Não sabemos nada com certeza.
Falando assim, até parece que eu odeio as coisas ilógicas que acontecem e teimam em acontecer no nosso dia-a-dia. Pelo contrário. Eu acho tão bom ter sempre pequenas surpresas no dia. É gostoso você acordar de manhã e dar de cara com um passarinho na beirada da sua janela, te olhando daquele jeito inocente, a cabecinha virando, analisando-o. É gostoso sorrir por coisas simples que algumas pessoas consideram bobas e outras nem notam! É gratificante ser o bobo alegre que sorri ao sentir o sol e mesmo assim ama o frio. É ótimo sentar em um ônibus e pensar nas coisas da vida enquanto ouve Queen. É, a incerteza nos motiva e torna a vida mais...vivível.
Falando assim, até parece que eu odeio as coisas ilógicas que acontecem e teimam em acontecer no nosso dia-a-dia. Pelo contrário. Eu acho tão bom ter sempre pequenas surpresas no dia. É gostoso você acordar de manhã e dar de cara com um passarinho na beirada da sua janela, te olhando daquele jeito inocente, a cabecinha virando, analisando-o. É gostoso sorrir por coisas simples que algumas pessoas consideram bobas e outras nem notam! É gratificante ser o bobo alegre que sorri ao sentir o sol e mesmo assim ama o frio. É ótimo sentar em um ônibus e pensar nas coisas da vida enquanto ouve Queen. É, a incerteza nos motiva e torna a vida mais...vivível.
4 de junho de 2009
Crônicas de uma classe - Parte V
Eu pude contar um minuto no relógio para que a sineta estridente tocasse. E mais trinta segundos para que a primeira menina entrasse: uma garotinha de cabelos crespos, óculos desproporcionais ao rosto pequeno e arredondado de roupas simples e mochila rosa. Respirei fundo quando ela sentou-se à frente, cruzou os braços à altura do peito e fixou seus olhos (aumentados desproporcionalmente) em mim. Eu pigarreei e ela nem piscou. Desviei os olhos mas podia nota-la ainda a me encarar. Quando ia me apresentar à pequena, salvo pelo gongo, outras 10 crianças entraram sem nem olhar para mim e sentaram-se nos lugares que queriam.
Eu nunca fui bobo, nunca mesmo. Sabia quem seria problema desde o primeiro momento. Pus-me de pé, afastando a cadeira e estremeci por dentro vendo toda aquela pirralhada reunida, conversando, rindo e olhando para mim. Pigarreei novamente. Fui ignorado. Arrumei os óculos e dei um tapinha na mesa. Ignorado. Franzi o cenho e disse:
-Senho...hum...crianças! De frente! – Minha voz tinha um poder avassalador, pelo que pude ver e, como em um colégio militar, todas as crianças viraram para frente, me olhando de olhos arregalados. Eu contive um sorriso. –Pois bem, serei seu novo professor, meu nome é Carlos, mas podem me chamar de Professor, Senhor, Carlos ou Senhor Pimentel. Entendidos? Entendidos, crianças? – Elas bradaram: “Sim, professor”. Eu sorri. Se continuassem assim, seria fácil lidar com elas. –Ótimo. Bem, para começar, quero que se apresentem, um por um, aqui na frente. Digam seus nomes, o que querem ser quando crescer e podem voltar. Hum...quem quer ser o primeiro? –Como não houve resposta, corei brevemente. Havia preparado uma aula mais animada, ou o que eu achava que era animada, antes da aritmética.
Foi no meio de minhas divagações, enquanto olhava ansioso para aquele projeto de turma que um braçinho se ergueu na primeira cadeira do meio. Eu olhei-a, a menina dos óculos. Sorri desesperado e desci do palanque.
-Pode vir. –Chamei-a, encostando-me na parede, uma prancheta em mãos, a caneta flutuando sobre o papel, pronto a anotar tudo. E ela continuou flutuando...e flutuando. Desviei o olhar para a menina que estava de pé, olhando a todos, as bochechas coradas e o olhar ansioso. –Hum...pode começar. Qual é seu nome? –Indaguei, forçando um sorriso. Era difícil. Eu não era bom em sorrisos.
A menina me olhou e corou ainda mais. Foi então que sua boca se mexeu e nenhum som saiu. Ela ficou ainda mais vermelha, deu uma tossidinha e disse sem parar para respirar:
-Meu nome é Prudence... – E então veio uma onda de risadinhas daquela turma de macacos. Eu os olhei, severo, calando-os. Fui até ela que parecia querer chorar, abaixei-me, muito, para ficar na altura dos olhos dela, como se fazem com os cachorros. –É um belo nome, Prudence. Você sabia que uma banda muito famosa e querida tem uma música com seu nome? É o nome mais bonito que já ouvi. –Ela sorriu, envergonhada.
-A banda é...The Beatles, senhor, a música é Dear Prudence. Minha mãe gostava muito deles. –Ela parecia mais relaxada. E eu assustado. Ela era uma pequena gênia. Que sorte, uma da minha espécie! Eu sorri, dessa vez menos amarelo.
-Ótimo, ótimo, você conhece suas origens, já é um avanço. O que deseja ser? –Perguntei, anotando seu nome com uma estrela, destacando-o.
-Ah, eu quero ser cientista. –Eu quase ri, mas me contive.
-É uma boa escolha, Prudence. Agora, já que terminou, vamos deixar os outros tentarem também. –Indiquei a cadeira dela e me sentei à mesa, anotando “Cientista” ao lado de “Prudence”. Seguido dela veio Roberto, que queria ser astronauta, junto com Rodolfo, Luis, Gustavo, Ricardo, Maria, Larissa, Lívia, Lídia, Débora, todos com o mesmo desejo: “Ser grande”. Sério, eu sou meu herói, tive a vontade de estrangular aqueles meninos sem senso de individualidade e nem imaginação para fazer piadinhas, mas me controlei e respirei fundo, anotando pacientemente.
Eu nunca fui bobo, nunca mesmo. Sabia quem seria problema desde o primeiro momento. Pus-me de pé, afastando a cadeira e estremeci por dentro vendo toda aquela pirralhada reunida, conversando, rindo e olhando para mim. Pigarreei novamente. Fui ignorado. Arrumei os óculos e dei um tapinha na mesa. Ignorado. Franzi o cenho e disse:
-Senho...hum...crianças! De frente! – Minha voz tinha um poder avassalador, pelo que pude ver e, como em um colégio militar, todas as crianças viraram para frente, me olhando de olhos arregalados. Eu contive um sorriso. –Pois bem, serei seu novo professor, meu nome é Carlos, mas podem me chamar de Professor, Senhor, Carlos ou Senhor Pimentel. Entendidos? Entendidos, crianças? – Elas bradaram: “Sim, professor”. Eu sorri. Se continuassem assim, seria fácil lidar com elas. –Ótimo. Bem, para começar, quero que se apresentem, um por um, aqui na frente. Digam seus nomes, o que querem ser quando crescer e podem voltar. Hum...quem quer ser o primeiro? –Como não houve resposta, corei brevemente. Havia preparado uma aula mais animada, ou o que eu achava que era animada, antes da aritmética.
Foi no meio de minhas divagações, enquanto olhava ansioso para aquele projeto de turma que um braçinho se ergueu na primeira cadeira do meio. Eu olhei-a, a menina dos óculos. Sorri desesperado e desci do palanque.
-Pode vir. –Chamei-a, encostando-me na parede, uma prancheta em mãos, a caneta flutuando sobre o papel, pronto a anotar tudo. E ela continuou flutuando...e flutuando. Desviei o olhar para a menina que estava de pé, olhando a todos, as bochechas coradas e o olhar ansioso. –Hum...pode começar. Qual é seu nome? –Indaguei, forçando um sorriso. Era difícil. Eu não era bom em sorrisos.
A menina me olhou e corou ainda mais. Foi então que sua boca se mexeu e nenhum som saiu. Ela ficou ainda mais vermelha, deu uma tossidinha e disse sem parar para respirar:
-Meu nome é Prudence... – E então veio uma onda de risadinhas daquela turma de macacos. Eu os olhei, severo, calando-os. Fui até ela que parecia querer chorar, abaixei-me, muito, para ficar na altura dos olhos dela, como se fazem com os cachorros. –É um belo nome, Prudence. Você sabia que uma banda muito famosa e querida tem uma música com seu nome? É o nome mais bonito que já ouvi. –Ela sorriu, envergonhada.
-A banda é...The Beatles, senhor, a música é Dear Prudence. Minha mãe gostava muito deles. –Ela parecia mais relaxada. E eu assustado. Ela era uma pequena gênia. Que sorte, uma da minha espécie! Eu sorri, dessa vez menos amarelo.
-Ótimo, ótimo, você conhece suas origens, já é um avanço. O que deseja ser? –Perguntei, anotando seu nome com uma estrela, destacando-o.
-Ah, eu quero ser cientista. –Eu quase ri, mas me contive.
-É uma boa escolha, Prudence. Agora, já que terminou, vamos deixar os outros tentarem também. –Indiquei a cadeira dela e me sentei à mesa, anotando “Cientista” ao lado de “Prudence”. Seguido dela veio Roberto, que queria ser astronauta, junto com Rodolfo, Luis, Gustavo, Ricardo, Maria, Larissa, Lívia, Lídia, Débora, todos com o mesmo desejo: “Ser grande”. Sério, eu sou meu herói, tive a vontade de estrangular aqueles meninos sem senso de individualidade e nem imaginação para fazer piadinhas, mas me controlei e respirei fundo, anotando pacientemente.
30 de maio de 2009
Crônicas de uma classe - Parte IV
Como havia dormido daquele jeito, de janelas abertas, acordei as cinco junto com os primeiros raios de sol. Os raios de sol das férias. Os raios de sol que fariam muitas pessoas sorrirem, mas que me fizeram bufar. Começaria hoje, daqui a quatro horas, a ensinar para crianças. Meu estômago revirou por um segundo e eu me levantei. Estava sem fome, mas após sair do banheiro comi minha tigela de cereal matinal com leite. Arrumei-me e me joguei no sofá, esperando o tempo passar.
E ele passou bem rápido. Em um piscar de olhos eu já estava atrasado para a aula. Levantei-me e corri para a moto, acelerando-a e pegando um atalho até a escola. Sim, eu estava ansioso. Na verdade, apreensivo. Mais como ficam os condenados à morte caminhando pela milha verde. É, era assim que eu sentia. Tentando adiantar o inevitável para que acabasse logo.
Demorou certo tempo para achar a escola, ela localizava-se mais para o meio rural da cidade, o que era estranho. Era um belo lugar, todo pintado de branco com o nome escrito em diversas cores na parede principal. Parei no estacionamento, a escola aparentava calma. Aquela calma que os tubarões têm antes de destroçar suas vítimas. Desliguei a moto, peguei meu capacete e me encaminhei à secretaria. Na verdade, era um hexágono de tijolos no meio do pátio e com uma placa dizendo que era ali a secretaria.
Entrei sem bater, já que a porta estava aberta. Havia uma atendente com cara de Chacrete aposentada. Contive meu riso perante a figura parada nos anos sessenta e apresentei-me.
-Sou...
-Carlos Pimentel, eu sei, o menino gênio e a próxima vítima, ok, assine aqui. Aqui. Aqui. E aqui. Isso, bom garoto, sua sala é a 43, tome seu horário e não desperdice meu tempo. Tchauzinho. – Foi como falar com o Furacão Katrina. Ela me passou uma folha em que eu assinei rapidamente várias vezes e em seguida me enxotou da sala com um papel de horários de aulas. Em menos de três minutos estava do lado de fora, no frio, olhando o papel em minhas mãos.
Enquanto andava devagar, olhava o horário. Era estranho, eu devia dar aulas até de Educação Física! Eu nunca fui bom naquilo! Eu tinha sorte de não ter isso na faculdade. Respirei fundo e fui para a sala 43, sentando-me à mesa, esperando pela hora do sinal.
E ele passou bem rápido. Em um piscar de olhos eu já estava atrasado para a aula. Levantei-me e corri para a moto, acelerando-a e pegando um atalho até a escola. Sim, eu estava ansioso. Na verdade, apreensivo. Mais como ficam os condenados à morte caminhando pela milha verde. É, era assim que eu sentia. Tentando adiantar o inevitável para que acabasse logo.
Demorou certo tempo para achar a escola, ela localizava-se mais para o meio rural da cidade, o que era estranho. Era um belo lugar, todo pintado de branco com o nome escrito em diversas cores na parede principal. Parei no estacionamento, a escola aparentava calma. Aquela calma que os tubarões têm antes de destroçar suas vítimas. Desliguei a moto, peguei meu capacete e me encaminhei à secretaria. Na verdade, era um hexágono de tijolos no meio do pátio e com uma placa dizendo que era ali a secretaria.
Entrei sem bater, já que a porta estava aberta. Havia uma atendente com cara de Chacrete aposentada. Contive meu riso perante a figura parada nos anos sessenta e apresentei-me.
-Sou...
-Carlos Pimentel, eu sei, o menino gênio e a próxima vítima, ok, assine aqui. Aqui. Aqui. E aqui. Isso, bom garoto, sua sala é a 43, tome seu horário e não desperdice meu tempo. Tchauzinho. – Foi como falar com o Furacão Katrina. Ela me passou uma folha em que eu assinei rapidamente várias vezes e em seguida me enxotou da sala com um papel de horários de aulas. Em menos de três minutos estava do lado de fora, no frio, olhando o papel em minhas mãos.
Enquanto andava devagar, olhava o horário. Era estranho, eu devia dar aulas até de Educação Física! Eu nunca fui bom naquilo! Eu tinha sorte de não ter isso na faculdade. Respirei fundo e fui para a sala 43, sentando-me à mesa, esperando pela hora do sinal.
Crônicas de uma classe - Parte III
Os dias se passaram rapidamente demais. Em um piscar de olhos a última semana de aula antes do recesso estava ali, na minha frente. E junto com ela as brincadeiras de final de ano.
Era bem comum, enquanto caminhava pelo campus, notar rolos de papel higiênico adornando as árvores e mechas de cabelos ao chão – frutos de uma promessa para passar de anos, provavelmente. As mangueiras de emergência estavam todas abertas, fazendo com que saltássemos por entre poças. Professores e zeladores corriam por toda a Universidade, tentando conter os ânimos-pré-férias dos alunos. Eu, obviamente, repudiava aquilo. Mas não falava nada. Quanto mais idiotas, menos concorrência no futuro. Era o que mamãe dizia antes do acidente, me deixando sozinho no mundo. Piscando furiosamente, sempre me controlava. Nunca havia derramado uma lágrima sequer pela morte de ninguém.
Na última semana houve uma pequena festa no último dia, mais especificamente. Não liguei para ela e fui embora, me preparar em casa para o último dia de aula. Estava tão distraído que quase arranquei tinta de um carro ao meu lado.
O dia foi uma droga. Agi maquinalmente e terminei todas as tarefas em menos de três horas. Deitei-me na cama ainda de dia e fiquei a olhar o teto com o estômago revirando lentamente. No dia seguinte começava o martírio. Aulas para a terceira série, crianças, pequenos demônios sem asas. Adormeci naquela posição.
Era bem comum, enquanto caminhava pelo campus, notar rolos de papel higiênico adornando as árvores e mechas de cabelos ao chão – frutos de uma promessa para passar de anos, provavelmente. As mangueiras de emergência estavam todas abertas, fazendo com que saltássemos por entre poças. Professores e zeladores corriam por toda a Universidade, tentando conter os ânimos-pré-férias dos alunos. Eu, obviamente, repudiava aquilo. Mas não falava nada. Quanto mais idiotas, menos concorrência no futuro. Era o que mamãe dizia antes do acidente, me deixando sozinho no mundo. Piscando furiosamente, sempre me controlava. Nunca havia derramado uma lágrima sequer pela morte de ninguém.
Na última semana houve uma pequena festa no último dia, mais especificamente. Não liguei para ela e fui embora, me preparar em casa para o último dia de aula. Estava tão distraído que quase arranquei tinta de um carro ao meu lado.
O dia foi uma droga. Agi maquinalmente e terminei todas as tarefas em menos de três horas. Deitei-me na cama ainda de dia e fiquei a olhar o teto com o estômago revirando lentamente. No dia seguinte começava o martírio. Aulas para a terceira série, crianças, pequenos demônios sem asas. Adormeci naquela posição.
Crônicas de uma Classe - Parte II
A sala arredondada tinha inúmeros quadros de personalidades famosas na faculdade por méritos – ou deméritos, como os esportistas, em minha opinião – diversos. Troféus, medalhas e certificados preenchiam as estantes também arredondadas para adequarem-se ao formato da sala. Tirando-se isso, ao final do aposento encontrava-se o tucano-de-óculos-e-reitor-Eduardo, sentado em sua cadeira estofada de couro, as mãos sobre a mesa. Ele sorriu ao me ver e indicou a cadeira. Pigarreei e sentei-me, a mochila sobre o colo e as mãos nos braços da cadeira. O silêncio que nascera à minha chegada culminara naquele momento em que eu o quebrei.
-Pois então, senhor?
-Ah, o senhor fala! Que agradável, deveria usar mais sua voz. Pois bem, para quê, exatamente, veio aqui, senhor Pimentel? –Perguntou, cruzando os braços e recostando-se na cadeira confortável.
-Hum...bem, o senhor me chamou, não é? Queria me dar o tal prêmio e provavelmente preferiu dá-lo longe dos colegas de classe com o intuito de não causar-lhes inveja, estou certo?
-Temo em dizer que está redondamente enganado, senhor. Eu o trouxe aqui para lhe dar, sim, seu prêmio. Mas para evitar...bem, sugiro que o veja antes de dizer qualquer coisa. –Disse, sorrindo terrivelmente e me passando uma pasta, que peguei, sem desviar os olhos dos dele. Ele era estranho, não sabia se me agradava ou não, era um mistério completo para mim. Desviei os olhos para a pasta, abri-a rapidamente e vi o que havia dentro. Apenas uma folha, quase em branco, exceto por poucas linhas aqui transcritas em íntegra:
É com orgulho que eu, Eduardo D’Amour, concedo ao aluno Carlos Pimentel seis meses como professor da turma de terceira série da escola primária “Santa Paz” com o intuito de um aprendizado firmado nas bases sólidas da amizade e amor infantil como prêmio por excelência no curso de Direito.
-Pois bem, você começa no primeiro dia de férias. –Sorriu-me o velho senhor. Olhei-o incrédulo e minha mente já formara uma imagem concreta para aquele homem. Era um sádico maldito louco para estragar quaisquer chances que tivesse de me tornar o melhor advogado do país e ainda levar todas as minhas férias. Eu ri, levemente aturdido.
-Bem engraçado, senhor, mas...hum...como? –Gaguejei. Sinal de fraqueza. Nada bom.
-Ora, o senhor ri e...gagueja! Está me surpreendendo, senhor Pimentel. –Ele sorriu, ainda mais loucamente que o normal. –Não é uma piada, meu caro. É seu prêmio. E...hum...o senhor precisa aceitar.
-Por quê? –Perguntei, atrevido.
-Ora, porque eles já te esperam lá. Se não for, crianças ficarão sem professor. –Ele sorriu, dessa vez aparentando mais preocupação.
-Senhor! Por favor, eu vou perder todas as férias com pirralhos. Eu preciso estudar! –Supliquei, levantando-me.
-Sente-se, senhor Pimentel. –Eu o obedeci. Sua voz obrigava-me. Pelos próximos trinta minutos ele me convenceu dizendo-me que faria bem ao meu currículo, que se eu não fosse os pirralhos ficariam sem estudo e que eu já sabia a matéria o suficiente por mais cinco anos de faculdade se me interessasse. Novamente com aquele sorriso ele se levantou e se despediu, teria que pegar a filha na futura escola em que eu lecionaria. Engoli em seco. Eu não tinha escolha. Era o novo professor dos pirralhos.
-Pois então, senhor?
-Ah, o senhor fala! Que agradável, deveria usar mais sua voz. Pois bem, para quê, exatamente, veio aqui, senhor Pimentel? –Perguntou, cruzando os braços e recostando-se na cadeira confortável.
-Hum...bem, o senhor me chamou, não é? Queria me dar o tal prêmio e provavelmente preferiu dá-lo longe dos colegas de classe com o intuito de não causar-lhes inveja, estou certo?
-Temo em dizer que está redondamente enganado, senhor. Eu o trouxe aqui para lhe dar, sim, seu prêmio. Mas para evitar...bem, sugiro que o veja antes de dizer qualquer coisa. –Disse, sorrindo terrivelmente e me passando uma pasta, que peguei, sem desviar os olhos dos dele. Ele era estranho, não sabia se me agradava ou não, era um mistério completo para mim. Desviei os olhos para a pasta, abri-a rapidamente e vi o que havia dentro. Apenas uma folha, quase em branco, exceto por poucas linhas aqui transcritas em íntegra:
É com orgulho que eu, Eduardo D’Amour, concedo ao aluno Carlos Pimentel seis meses como professor da turma de terceira série da escola primária “Santa Paz” com o intuito de um aprendizado firmado nas bases sólidas da amizade e amor infantil como prêmio por excelência no curso de Direito.
-Pois bem, você começa no primeiro dia de férias. –Sorriu-me o velho senhor. Olhei-o incrédulo e minha mente já formara uma imagem concreta para aquele homem. Era um sádico maldito louco para estragar quaisquer chances que tivesse de me tornar o melhor advogado do país e ainda levar todas as minhas férias. Eu ri, levemente aturdido.
-Bem engraçado, senhor, mas...hum...como? –Gaguejei. Sinal de fraqueza. Nada bom.
-Ora, o senhor ri e...gagueja! Está me surpreendendo, senhor Pimentel. –Ele sorriu, ainda mais loucamente que o normal. –Não é uma piada, meu caro. É seu prêmio. E...hum...o senhor precisa aceitar.
-Por quê? –Perguntei, atrevido.
-Ora, porque eles já te esperam lá. Se não for, crianças ficarão sem professor. –Ele sorriu, dessa vez aparentando mais preocupação.
-Senhor! Por favor, eu vou perder todas as férias com pirralhos. Eu preciso estudar! –Supliquei, levantando-me.
-Sente-se, senhor Pimentel. –Eu o obedeci. Sua voz obrigava-me. Pelos próximos trinta minutos ele me convenceu dizendo-me que faria bem ao meu currículo, que se eu não fosse os pirralhos ficariam sem estudo e que eu já sabia a matéria o suficiente por mais cinco anos de faculdade se me interessasse. Novamente com aquele sorriso ele se levantou e se despediu, teria que pegar a filha na futura escola em que eu lecionaria. Engoli em seco. Eu não tinha escolha. Era o novo professor dos pirralhos.
Crônicas de uma Classe.
Hoje foi um dia que mudou minha vida, nunca mais vou esquecê-lo. Nos próximos dias relatarei aqui, sobre as minhas aventuras de hoje e dos próximos dias nos quais serei obrigado a freqüentar aquele hospício nomeado ironicamente de “Escola Santa Paz”. Meu nome é Carlos e eu sou um futuro advogado.
Meu dia sempre começa igual, levanto-me as seis e dez, escovo meus dentes, me arrumo, subo em minha moto e me dirijo à Faculdade. Chego exatamente às sete horas, quarenta minutos adiantado. Escolho meu lugar, sento-me e espero, folheando qualquer livro que esteja lendo no momento, até que a sala esteja lotada de pessoas com as quais troquei apenas duas palavras. É nesta hora que fecho meu livro e olho fixamente para frente, esperando o professor chegar. Anoto cada suspiro deste e ao final da aula eu aprendi até os tiques nervosos característicos do stress de ser mestre. Lembro-me de pensar sempre: “Escolhi a profissão certa, nunca vou ter que dar aulas para idiotinhas sem cérebro.”. Irônico, não?
Foi num destes dias, precisamente no dia vinte e nove de maio de dois mil e nove. Foi quando tudo começou a desandar. Lá estava eu, encarando o professor que - ria de uma piada de cunho sexual - com o cético olhar de quem se decepciona ao ver um ídolo ser preso por tráfico de drogas. Foi nesta hora que um senhor deu dois toques na porta de madeira e entrou. Seu semblante me fazia lembrar de um tucano com óculos equilibrados na ponta do nariz. O senhor fixou seus olhos inteligentes em mim e com certeza me reconheceu, pois esboçou um sorriso sádico e começou a falar enquanto passava os olhos em uma lista.
-Pois bem, meu nome é Eduardo e eu estou aqui para distribuir o prêmio de melhores alunos da escola. Por favor, sem estardalhaço, sim? –Disse ele, olhando friamente para um grupo que cochichava meu nome. Eu podia ouvir, mas não movi um músculo sequer e Eduardo voltou a falar, jogando a lista no lixo. – Não preciso disso, já que o melhor aluno em uma matéria é o melhor em todas. Carlos Pimentel, se apresente, por favor. –Ele disse, passando os olhos pela turma. Como se eu não soubesse que ele tinha certeza de quem era Carlos Pimentel. Levantei minha mão, olhando-o com atenção, sem me distrair pela nuvem de risadinhas ao meu redor. –Ótimo, aí está nosso aluno-modelo. Pois bem, ao final da aula apresente-se na reitoria. Obrigado, professor Santos. –Disse, deslizando para fora da sala. Eu ergui uma sobrancelha. Uma das coisas que me faziam ser o melhor aluno era minha curiosidade. Bem, eu era frio com tudo, podia ignorar à vontade meus pensamentos e sentimentos. Voltei-me para o professor. A aula transcorreu sem mais nenhum acontecimento digno de nota, portanto, ao soar do sino levantei-me e saí apressado para a sala da reitoria. Chegando à porta, respirei fundo e bati duas vezes, entrando em seguida, exatamente como o reitor Eduardo fizera.
Meu dia sempre começa igual, levanto-me as seis e dez, escovo meus dentes, me arrumo, subo em minha moto e me dirijo à Faculdade. Chego exatamente às sete horas, quarenta minutos adiantado. Escolho meu lugar, sento-me e espero, folheando qualquer livro que esteja lendo no momento, até que a sala esteja lotada de pessoas com as quais troquei apenas duas palavras. É nesta hora que fecho meu livro e olho fixamente para frente, esperando o professor chegar. Anoto cada suspiro deste e ao final da aula eu aprendi até os tiques nervosos característicos do stress de ser mestre. Lembro-me de pensar sempre: “Escolhi a profissão certa, nunca vou ter que dar aulas para idiotinhas sem cérebro.”. Irônico, não?
Foi num destes dias, precisamente no dia vinte e nove de maio de dois mil e nove. Foi quando tudo começou a desandar. Lá estava eu, encarando o professor que - ria de uma piada de cunho sexual - com o cético olhar de quem se decepciona ao ver um ídolo ser preso por tráfico de drogas. Foi nesta hora que um senhor deu dois toques na porta de madeira e entrou. Seu semblante me fazia lembrar de um tucano com óculos equilibrados na ponta do nariz. O senhor fixou seus olhos inteligentes em mim e com certeza me reconheceu, pois esboçou um sorriso sádico e começou a falar enquanto passava os olhos em uma lista.
-Pois bem, meu nome é Eduardo e eu estou aqui para distribuir o prêmio de melhores alunos da escola. Por favor, sem estardalhaço, sim? –Disse ele, olhando friamente para um grupo que cochichava meu nome. Eu podia ouvir, mas não movi um músculo sequer e Eduardo voltou a falar, jogando a lista no lixo. – Não preciso disso, já que o melhor aluno em uma matéria é o melhor em todas. Carlos Pimentel, se apresente, por favor. –Ele disse, passando os olhos pela turma. Como se eu não soubesse que ele tinha certeza de quem era Carlos Pimentel. Levantei minha mão, olhando-o com atenção, sem me distrair pela nuvem de risadinhas ao meu redor. –Ótimo, aí está nosso aluno-modelo. Pois bem, ao final da aula apresente-se na reitoria. Obrigado, professor Santos. –Disse, deslizando para fora da sala. Eu ergui uma sobrancelha. Uma das coisas que me faziam ser o melhor aluno era minha curiosidade. Bem, eu era frio com tudo, podia ignorar à vontade meus pensamentos e sentimentos. Voltei-me para o professor. A aula transcorreu sem mais nenhum acontecimento digno de nota, portanto, ao soar do sino levantei-me e saí apressado para a sala da reitoria. Chegando à porta, respirei fundo e bati duas vezes, entrando em seguida, exatamente como o reitor Eduardo fizera.
27 de maio de 2009
Ignorando Sentimentos.
Por favor, sem moralismos aqui no Simbi, certo? Sim, eu estou chateado, sim, eu estou para baixo e sim, aqui é o único lugar onde posso dissertar sobre isso sem precisar temer por nota ou por amizade alguma.
Essa semana começou um tanto quanto...ansiosa para mim. Logo na segunda-feira eu estava louco pela tal resposta, que só chegou à noitinha e, como imaginava, não foi nada agradável.
Pois bem, sempre temos decepções, certo? Mas então alguém interferiu e a ansiedade novamente cresceu em meu peito, tudo por culpa do famigerado e tolo "amor". E mais uma vez, a resposta me abalou e eu entrei neste estado vegetativo em que me encontro.
Ok, não foi só isso, foi um somatório: Desilusão + Decepção com alguns amigos + Morte de alguém próximo = Isolamento e ódio. Tudo isso porque me contive demais, porque me escondi, dia após dia, hora seguida de hora, atrás da fachada "feliz e gente boa, aquele Vinícius". Agora? Que se fuck, como diz o Robinho da GTO.
Eu decidi, por intermédio dos meus dois neurônios, que vou manter-me sem sentimentos. Serei uma máquina por uma semana, como em uma experiência. Não vou demonstrar dor, nem amor, carinho, afeto, compaixão, felicidade ou tristeza. Quarta-feira que vem eu direi se deu resultado e aí poderei sugerir ou não a experiência. Bem, au revoir.
Essa semana começou um tanto quanto...ansiosa para mim. Logo na segunda-feira eu estava louco pela tal resposta, que só chegou à noitinha e, como imaginava, não foi nada agradável.
Pois bem, sempre temos decepções, certo? Mas então alguém interferiu e a ansiedade novamente cresceu em meu peito, tudo por culpa do famigerado e tolo "amor". E mais uma vez, a resposta me abalou e eu entrei neste estado vegetativo em que me encontro.
Ok, não foi só isso, foi um somatório: Desilusão + Decepção com alguns amigos + Morte de alguém próximo = Isolamento e ódio. Tudo isso porque me contive demais, porque me escondi, dia após dia, hora seguida de hora, atrás da fachada "feliz e gente boa, aquele Vinícius". Agora? Que se fuck, como diz o Robinho da GTO.
Eu decidi, por intermédio dos meus dois neurônios, que vou manter-me sem sentimentos. Serei uma máquina por uma semana, como em uma experiência. Não vou demonstrar dor, nem amor, carinho, afeto, compaixão, felicidade ou tristeza. Quarta-feira que vem eu direi se deu resultado e aí poderei sugerir ou não a experiência. Bem, au revoir.
14 de maio de 2009
Acaju
Pra quem ainda não sabe, eu adoro música brasileira... Sim, sim também adoro Beatles, Queen, e outras fodesas que vem da gringa... Mas sempre tive um ouvido atento a nossa terrinha. É amigos, creio que é todos vão concordar que nada como um pouco de Legião Urbana, Cazuza, Engenheiros, Los Hermanos; para adoçar um dia. Agora, não adianta dar valor aenas ao passado, mas também ao presente. O cenário da música nacional atual anda um pouco confuso... Talvez por esta facilidade de produção, as novas mídias e etc... Nunca tivemos tantas coisas legais sendo ouvidas por aí... (E muitas coisas ruins também na minha opinião...)
Enfim, sem lenga-lenga. Estes caras aí de cima formam uma das melhores bandas do cenário independente deste país. Conheci eles pela primeira vez durante um especial do Raul Seixas a alguns anos... Quando senti a vibração destees caras, anotei o nome e procurei no my space na mesma hora...
Aliás, eles e o Vanguart naquele mesmo dia, senão me engano...
Enfim. Me surpreendi. Algo totalmente original e único. Costumam se descrever como uma: "feijoada búlgara", pela total mistura de referencias. E não encontro motivo gastronomico que os defina de melhor forma.
Enjoy.
Ah, eu nunca fui lá um talento com as letrinhas, mas tentei.
Eu iria divulgar de qualquer forma mas a promoção para ir ao show exclusivo me deu um empurrãozinho confesso... xD
15 de abril de 2009
Crânio de 'vampiro' do século 16 é encontrado perto de Veneza
Especialista diz que tijolo na boca de cadáver pode indicar 'exorcismo' durante epidemia.
Uma equipe de cientistas italianos encontrou na Itália uma caveira com um tijolo aparentemente colocado à força dentro da boca, o que indica que se acreditava que o cadáver era de um vampiro.
A caveira foi encontrada na escavação de uma vala comum onde eram enterradas vítimas de uma epidemia de peste bubônica na ilha de Lazzaretto Nuovo, perto de Veneza, nos séculos 16 e 17.
Matteo Borrini, da Universidade de Florença, disse que objetos eram colocados na boca de supostos vampiros na época para impedir que eles se alimentassem dos cadáveres de pessoas enterradas nas proximidades, se fortalecessem e passassem a atacar os vivos.
Borrini, que apresentou suas conclusões na 61ª reunião da Academia Americana de Ciências Forenses em Denver, nos Estados Unidos, disse que, na época da epidemia, muitos acreditavam que a doença era propagada por vampiros.
Segundo ele, na época da epidemia de peste, os coveiros reabriam constantemente a vala para enterrar os corpos de novas vítimas e encontravam cadáveres que eles suspeitavam ser de vampiros.
Os suspeitos costumavam ser identificados por sinais como "marcas de mastigação" no tecido em que os corpos eram envoltos.
De acordo com Borrini, estas marcas eram causadas por sangue e outros fluidos corporais que às vezes eram expelidos pela boca dos mortos, fazendo com que o tecido parecesse afundar entre as mandíbulas e romper-se.
Borrini disse que este pode ser o primeiro ritual de "exorcismo de vampiro" confirmado por evidências arqueológicas e analisada com conhecimentos médicos e técnicas forenses.
Entretanto, Peer Moore-Jansen, um especialista da Universidade Estadual de Wichita, no Kansas, afirma que encontrou esqueletos similares na Polônia, indicando que a descoberta não é pioneira.
Veneza foi muito afetada pela chamada peste negra, que atingiu a cidade por volta de 1630. Estima-se que a epidemia matou até 50 mil pessoas de uma população de 150 mil.
Comentários de V.F.S.: Só tenho a dizer uma coisa: =0
Especialista diz que tijolo na boca de cadáver pode indicar 'exorcismo' durante epidemia.
Uma equipe de cientistas italianos encontrou na Itália uma caveira com um tijolo aparentemente colocado à força dentro da boca, o que indica que se acreditava que o cadáver era de um vampiro.
A caveira foi encontrada na escavação de uma vala comum onde eram enterradas vítimas de uma epidemia de peste bubônica na ilha de Lazzaretto Nuovo, perto de Veneza, nos séculos 16 e 17.
Matteo Borrini, da Universidade de Florença, disse que objetos eram colocados na boca de supostos vampiros na época para impedir que eles se alimentassem dos cadáveres de pessoas enterradas nas proximidades, se fortalecessem e passassem a atacar os vivos.
Borrini, que apresentou suas conclusões na 61ª reunião da Academia Americana de Ciências Forenses em Denver, nos Estados Unidos, disse que, na época da epidemia, muitos acreditavam que a doença era propagada por vampiros.
Segundo ele, na época da epidemia de peste, os coveiros reabriam constantemente a vala para enterrar os corpos de novas vítimas e encontravam cadáveres que eles suspeitavam ser de vampiros.
Os suspeitos costumavam ser identificados por sinais como "marcas de mastigação" no tecido em que os corpos eram envoltos.
De acordo com Borrini, estas marcas eram causadas por sangue e outros fluidos corporais que às vezes eram expelidos pela boca dos mortos, fazendo com que o tecido parecesse afundar entre as mandíbulas e romper-se.
Borrini disse que este pode ser o primeiro ritual de "exorcismo de vampiro" confirmado por evidências arqueológicas e analisada com conhecimentos médicos e técnicas forenses.
Entretanto, Peer Moore-Jansen, um especialista da Universidade Estadual de Wichita, no Kansas, afirma que encontrou esqueletos similares na Polônia, indicando que a descoberta não é pioneira.
Veneza foi muito afetada pela chamada peste negra, que atingiu a cidade por volta de 1630. Estima-se que a epidemia matou até 50 mil pessoas de uma população de 150 mil.
Comentários de V.F.S.: Só tenho a dizer uma coisa: =0
1 de abril de 2009
Cavagayrismo - Baseado em fatos reais.
Sabe, o engraçado do mundo é isto: por mais que sejamos gentis, queiramos ajudar, ou apenas apoiar alguém, somos vistos com maus olhos. Seja na política, em relacionamentos (amizade e/ou namoro), escola, trabalho, em toda nossa vida em sociedade, nunca somos interpretados do jeito que esperamos. Pois bem, chega de lenga-lenga introdução e vamos logo aos fatos, narrados em primeira pessoa por um amigo que não deseja se identificar sério, me senti o Datena agora.
É, vida de estudante não é mole não. Acordar todo o dia seis da matina, quando o Sol ainda está pensando se quer levantar, passar mais cinco horas com as bundas nádegas da bunda[/Meu Pé de Laranja Lima, seus incultos =)] sentada na cadeira, ouvindo um professor tolo falar tolices em uma aula tola. E tudo isso entre alguns minutos/horas/dias/décadas/milênios em um ônibus fétido com pessoas fétidas falando besteira.
É, é muito difícil, e nessas horas a melhor arma é o bom e velho mp3/4/10³. Mas, de acordo com Murph e sua maldita lei, tudo sempre pode piorar. Principalmente quando a bateria de seu mp3/4/10³ acabou e você tem que ouvir toda aquela besteira do parágrafo acima.
Foi em um dia fatídico desses que essa história será narrada. Cá estava eu, feliz por ter conseguido um lugar sentado no banco, mas put* da vida por ter que ouvir aquele bando de babuínos bobocas balbuciando em bando [Harry Potter, seus incultos =)²] .
Estava sentado há uns...cinco minutos. O ônibus estava lotado, e, como bom cavaleiro, cedi meu lugar à uma dama que aparentava ter seus vinte e cinco anos. Ela aceitou de bom grado e foi até gentil, segurando minha Bigorna, apelido carinhoso para "mochila".
E então ela começou a puxar papo. É por isso que odeio a sociedade. Porque motivos devemos falar com desconhecidos? Ok, eu aceitei a conversa, levemente corado. Eu sou realmente ruim com essas coisas. Bem, conversa vai, conversa vem, ela solta a pérola:
-Ah, eu sempre quis ter um amigo gay, acho que consegui. -Cara, pelamordedeus, nada contra os gays, mas ela estava duvidando de minha masculinidade? Devem imaginar minha reação. Algo como:
Bem, depois disso, pigarreei e quando ia explicar minha situação, ela sorriu e deu um tchauzinho singelo para mim, saindo do ônibus. Sério, eu quase desci atrás dela. Mas ao invés disso, me contive e sentei-me no lugar da loira, pensando, como é de meu costume, na situação. Pensei, pensei e pensei mais um pouco e acabei por concluir que a jovem taxara-me de gay por que eu fora um cavalheiro com ela. Ok, isto me perturbou. Bem, se fora isso mesmo, o que eu tinha quase certeza, por que ela pensaria isso de mim? Cavalheirismo é sinônimo de viadagem homosexualidade? O que aconteceu com as rosas, os homens abrindo as portas para mulheres, oferecimento de lugar mais confortável, e outras coisas que vemos em Casablanca? Será que só eu, em todo o Universo, ainda considero educado pegar um lenço ao chão e entregar à dona? Será que o mundo está tão podre a ponto de, para parecermos mais másculos termos de ser halterofilistas machistas? Sinceramente, isto, para mim, é pré-histórico.
16 de março de 2009
Por isso que eu amo os livros do Stephen King...
Stephen King criticou a autora da saga Crepúsculo, Stephenie Meyer.
Em entrevista ao USA Weekend, o bem sucedido escritor comparou Meyer a JK Rowling, autora da série Harry Potter.
Segundo Stephen, ambas as autoras falam diretamente ao público jovem.
“A verdadeira diferença é que Jo Rowling é uma escritora incrível e Stephenie Meyer não tem grande valor. Stephenie Meyer não consegue escrever nada que valha um retalho. Ela não é muito boa”.
Mas, embora Stephen não seja fã dos textos de Meyer, ele entende o sucesso da série.
“As pessoas são atraídas pela história, pelo ritmo e, no caso de Meyer, fica claro que está escrevendo para toda uma geração de garotas, abordando uma mistura segura de amor e sexo em seus livros”.
“Aquela coisa do vampiro tocar o braço da garota, de percorrer sua pele com a ponta dos dedos gelados e fazê-la corar, essa coisa de quente e frio, tem tudo a ver com os sentimentos com os quais as garotas ainda não estão preparadas para lidar”.
Comentários de V.F.S.: Eu tenho que comentar alguma coisa?S.K. Rulez! \o/
Em entrevista ao USA Weekend, o bem sucedido escritor comparou Meyer a JK Rowling, autora da série Harry Potter.
Segundo Stephen, ambas as autoras falam diretamente ao público jovem.
“A verdadeira diferença é que Jo Rowling é uma escritora incrível e Stephenie Meyer não tem grande valor. Stephenie Meyer não consegue escrever nada que valha um retalho. Ela não é muito boa”.
Mas, embora Stephen não seja fã dos textos de Meyer, ele entende o sucesso da série.
“As pessoas são atraídas pela história, pelo ritmo e, no caso de Meyer, fica claro que está escrevendo para toda uma geração de garotas, abordando uma mistura segura de amor e sexo em seus livros”.
“Aquela coisa do vampiro tocar o braço da garota, de percorrer sua pele com a ponta dos dedos gelados e fazê-la corar, essa coisa de quente e frio, tem tudo a ver com os sentimentos com os quais as garotas ainda não estão preparadas para lidar”.
Comentários de V.F.S.: Eu tenho que comentar alguma coisa?S.K. Rulez! \o/
15 de março de 2009
Look At All the Lonely People...

Eleanor tinha medo do céu. O que é perfeitamente normal. Algumas pessoas tem medo de avião, outras de serem surpreendidas por crocodilos em vasos sanitários. Muitas pessoas no mundo temem muitas coisas, mas para Eleanor não havia pior pavor do que o daquilo que estava bem acima dela. O céu. Saia de casa, todos os dias apenas se protegida por seu enorme guarda chuva negro...
Tal guarda-chuva que nunca havia trocado, tinha que ser aquele, seu protector, aquele desgastado e antigo, que tinha desde quando criança. Quando indagada do por que de usar tal objecto em um dia ensolarado e bonito, ela respondia: -Você não me perguntaria se um pedaço dessa coisa grande, azul e asquerosa lhe esmagasse no asfalto!
Quem visse aquela velhinha neurótica cruzando a avenida, escondida na sombra de seu guarda chuva negro, escondendo seu corpo debaixo de sete xales ainda mais negros (que a deixavam com a curiosa aparência de um urubu assustado), jamais poderia pensar que aquela Eleanor não fora sempre assim...
Antes de tudo vir à tona, com sua cabeça completamente abalada, ela era uma jovem delicada e feliz, que adorava o sol e a lua e passava mais tempo fora de casa que dentro. E também tinha um amor. Um amor arrebatador, que doía só de pensar, o coração quase escapava-lhe a garganta quando o via...e então tudo acabou, tudo acabou quando...
Galileu, tão sonhador, que dizia um dia tornar-se aviador, para trazer do céu uma estrela à sua querida Eleonor. Foi tomado pelo acaso, coincidência, fato ou destino... Na sua noite de núpcias! Um enorme desatino!. Do céu caiu uma estrela, que para todos era cadente. Mas esta veio a cair na cabeça, do pobre noivo inocente.
(rimou. \o/)
Não sobrou nem um átomo do pobre Galileu, deixando sozinha e triste a nossa Eleonor. Desde tal dia, ela teme o céu, aquele tirano que levou seu amor.
(Este texto maluco foi fruto de uma brincadeira minha e do Reury XD Ficou engraçado :S)
14 de fevereiro de 2009
6 de fevereiro de 2009
Exclusão Competitiva - Princípio de Gause.
Cá estava eu, Vinícius, em meus estudos diários sobre matérias interessantes e, principalmente, desinteressantes quando duas palavras saltaram-me aos olhos: "Exclusão Competitiva". Olhei para a apostila nova, a apostila nova olhou pra mim e eu bufei, levemente exaurido. A matéria acabava ali e eu teria que esperar até segunda-feira para que o professor fizesse a bondade de me dizer o próximo capítulo desta história que me rendeu este texto furreca instrutivo. Pois bem, ajoelhei-me e pedi a resposta para Deus Google e eis que me aparece a seguinte frase: "De acordo com o Princípio de Gause, os seres mais evoluídos tendem a excluir os menos evoluidos.". Não sei se imaginam o quão indignado eu fiquei. Então a exclusão era natural e só nos restava engoli-la e deixá-la passar em branco. Deus, por que eu tenho que aceitar o que diz um russo tolo que nasceu em 1910? Por que eu tenho que agüentar Sim, com trema, e que se fodam as mudanças ortográficas. u.u um cara que nem imaginava o que seria o século XXI? Sim, eu me irritei e então pensei: Tenho que desabafar, mas aonde? E então me veio a idéias: Como ninguém lê isso aqui, vim postar \o. E demonstrar o quão nervoso eu fiquei ao perceber que Gause estava certo. Até as plantas excluem as mais fracas... e por que por quê, porque, porquê, por que, por q, pq não os humanos? Ah, sim, eles nós somos os piores excluidores de nossa própria espécie. Só queria deixar registrado isso: eu odeio os humanos, eu os matarei! MUAHAHAHA Espero que um dia superemos este princípio e que a igualdade seja estabelecida. Não que eu acredite que vai acontecer, mas não faz mal sonhar.
10 de janeiro de 2009
Le français. Le vampire.
A escuridão o envolvia. Ou a escuridão dele emanava? Tinha o olhar vermelho fixo no pôr-do-sol róseo. O pôr-do-sol, fim do dia, início da noite, início da diversão.
Seus cabelos estavam sempre assentados com a velha brilhatine. Seu sorriso sarcástico era permanente. Sua pele sempre alva como a neve refletia as luzes que aos poucos se acendiam. Com um salto pousou sem som algum no piso coberto de neve. Neve negra, suja, de um lugar sujo. Paris. Olhou para cima, averiguando o que os mortais insistiam em chamar de Notre Dame e que eu simplesmente chamava de...lar. Morava a anos...décadas? Talvez até mais de cem anos. Maldição, ele sempre perdia a noção de tempo. Tempo. Para que motivo queria controlar o seu se tinha o tinha em infinito número.
A lua amarela começava a subir e ele sentia os músculos do corpo se retesarem, endurecerem. Sua própria pele há alguns minutos flácida, tornara-se jovem e atraente. Sorriu ligeiramente. Sempre esta metamorfose ambulante. E há quem diga que os vampiros são seres cheios de fraquezas. Fraquezas. Ora, que impáfia, fraquezas não existem. Nem estacas, cruzes, alho (de onde tiraram esta idéia de alho?), igrejas! Diabos, ele morava em uma. Balas de prata, água benta, medalha de São Sei Lá O Que. Diabos, em vida eu era um padre.
E o cheiro o consumiu. Ele rosnou e virou os olhos, uma mulher de uns quarenta anos andava pela rua, fumando em uma cigarrilha. Fumante. Essa estava pedindo para morrer. Com um inclinar de pernas, a vida dela se findou.
Sangue. A neve negra tornou-se vermelha. Ele se levantou. Sim, existia uma fraqueza. A fraqueza por sangue.
VFS - Apenas para resgatar o vampiro das lendas, o vampiro do passado, não o sugador de sangue que bebe o plasma de animais e brilha ao sol. Para bom entendedor, meia-ironia basta.
Seus cabelos estavam sempre assentados com a velha brilhatine. Seu sorriso sarcástico era permanente. Sua pele sempre alva como a neve refletia as luzes que aos poucos se acendiam. Com um salto pousou sem som algum no piso coberto de neve. Neve negra, suja, de um lugar sujo. Paris. Olhou para cima, averiguando o que os mortais insistiam em chamar de Notre Dame e que eu simplesmente chamava de...lar. Morava a anos...décadas? Talvez até mais de cem anos. Maldição, ele sempre perdia a noção de tempo. Tempo. Para que motivo queria controlar o seu se tinha o tinha em infinito número.
A lua amarela começava a subir e ele sentia os músculos do corpo se retesarem, endurecerem. Sua própria pele há alguns minutos flácida, tornara-se jovem e atraente. Sorriu ligeiramente. Sempre esta metamorfose ambulante. E há quem diga que os vampiros são seres cheios de fraquezas. Fraquezas. Ora, que impáfia, fraquezas não existem. Nem estacas, cruzes, alho (de onde tiraram esta idéia de alho?), igrejas! Diabos, ele morava em uma. Balas de prata, água benta, medalha de São Sei Lá O Que. Diabos, em vida eu era um padre.
E o cheiro o consumiu. Ele rosnou e virou os olhos, uma mulher de uns quarenta anos andava pela rua, fumando em uma cigarrilha. Fumante. Essa estava pedindo para morrer. Com um inclinar de pernas, a vida dela se findou.
Sangue. A neve negra tornou-se vermelha. Ele se levantou. Sim, existia uma fraqueza. A fraqueza por sangue.
VFS - Apenas para resgatar o vampiro das lendas, o vampiro do passado, não o sugador de sangue que bebe o plasma de animais e brilha ao sol. Para bom entendedor, meia-ironia basta.
2 de janeiro de 2009
O deus Tempo - Vinícius de Freitas Santos
O deus Tempo
O homem tem medo do tempo. Do tempo que não tem passado, nem presente, nem futuro. Do tempo absoluto.
O tempo não tem relógio. Não se submete a medições. Não se confina em idades e épocas. O tempo existe. É presente desde sempre. Incomensurável. Invisível. Impalpável. Ilimitado. Indefinível.
Não teve começo e não terá fim. Sempre presente. Dia, mês, hora, ano, século, milênio são limitações impostas pela finita mente humana. São divisões incongruentes de algo que não admite divisão, parcelamento, enquadramento.
O tempo é eterno, é como se fosse deus. Incriado, como um ser supremo que basta a si mesmo.
Em sua relação com o tempo, o homem se sente finito, criado, medido, calculado, dividido, diminuído e nunca multiplicado.
Em sua finitude, procura superar, tenta conquistar - não o espaço, pois percebe que é inatingível - o tempo para si, todo o tempo, o tempo infindo e infinito.
Em sua finitude, lança mão de estratagemas que lhe permitam pelo menos entender sua função no tempo, sua relação mais ou menos longa com ele, sua eternidade acompanhando-o ou sua parada brusca e irreversível no mesmo.
Em sua finitude, em sua incapacidade de vislumbrar um possível domínio do tempo, o homem se volta para o oculto, para o misterioso, o divino, mas um divino companheiro,acessível, comunicativo, que desvende os arcanos do tempo, desse tempo que, segundo o homem, varre a eternidade inteira com sua presença implacável e despótica. Não um divino cujo poder imponha dor e martírio nos pecadores. Não um divino cruel e tirano.
E o homem encontra a resposta, embora tênue, sofrível, nebulosa, quando não incompreensível e caótica, no divino e em seus mistérios. Mas é uma resposta.
No afã de chamar para perto de si a divindade, multiplica as formas desta, conferindo-lhe mil e uma fisionomias, semblantes ora agradáveis ora terríveis, emprestando-lhe atributos reveladores do tempo e dos tempos, da eternidade e das eternidades.
O divino – que o finito ser humano coloca lá em cima, para além do espaço e talvez para além do tempo – baixa até o homem e este se eleva com ele. Pelo menos é o que ele pensa. Ou será pura ilusão?
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